
Por Pedagogas Unidas 2008
Divisão do trabalho? Como tudo começou, segundo Smith...
A divisão do trabalho segundo Smith pode ter sido a causa do crescente desenvolvimento da produtividade do trabalho bem como do aumento do engenho, destreza e discernimento.
Este livro é iniciado com uma passagem descrevendo a divisão do trabalho em uma fábrica de alfinetes onde dez pessoas especializadas em várias tarefas, produzem 48.000 alfinetes por dia, comparada com uma minoria que produziria uma peça de forma isolada.
Ainda no mesmo livro, já no segundo capítulo, Smith nos revela a origem da divisão do trabalho na sociedade: "Essa divisão do trabalho, da qual derivam tantas vantagens, não é, em sua origem, o efeito de uma sabedoria humana qualquer...Ela é conseqüência necessária, embora muito lenta e gradual, de uma certa tendência ou propensão existente na natureza humana...a propensão a intercambiar, permutar ou trocar uma coisa pela outra."
Desta maneira, poder permutar com certeza a parte excedente da produção pessoal (ultrapassando seu consumo pessoal) incentiva cada trabalhador a se ocupar especificamente aperfeiçoando seu talento ou “dom” para aquele negócio. A competição e a lei da oferta e procura sustentam a divisão do trabalho.
Marx neste capítulo também copiou justamente aquilo que sempre foi imputado a ele, Marx, como o ponto mais nobre do marxismo, a alienação do trabalhador. É de Smith uma extensa digressão sobre esse problema. Ele escreveu com discernimento e originalidade sobre a degradação intelectual do trabalhador numa sociedade na qual a divisão de trabalho foi muito longe. Em comparação com a inteligência alerta do agricultor, o trabalhador especializado "geralmente se torna tão estúpido e ignorante quanto é possível para um ser humano se tornar".
A melhor educação. No Artigo II do Volume II do "Riqueza" diz Smith que também as instituições para a educação podem propiciar um rendimento suficiente para cobrir seus próprios gastos. Ele não se ocupa de se é dever do Estado propiciar educação gratuita aos cidadãos. Ele apenas garante que, se esse for o caso, infalivelmente será a pior educação possível. Ele coteja o ensino particular com o público, este último exemplificado com o péssimo ensino que viu em Oxford, universidade onde os professores tinham seu salário garantido, mesmo que sequer dessem aulas. Quando o professor não é remunerado às custas do que pagam os alunos, "o interesse dele é frontalmente oposto a seu dever, tanto quanto isto é possível"... "é negligenciar totalmente seu dever ou, se estiver sujeito a alguma autoridade que não lhe permite isto, desempenhá-lo de uma forma tão descuidada e desleixada quanto essa autoridade permitir". Nesta situação, mesmo um professor consciencioso do seu dever, irá, segundo Smith, acomodar seu projeto de ensino e pesquisa a suas conveniências, e não de acordo com parâmetros reais de interesse de seus alunos.

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